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Espirometria: o que é, para que serve e como é feito o exame

Entenda como funciona o exame do sopro, o que ele mede e como ajuda na avaliação da saúde dos pulmões.

Dra. Roberta Pulcheri Ramos25 de agosto de 20268 min de leitura

A espirometria é um exame que avalia a função pulmonar, medindo a quantidade de ar que uma pessoa consegue inspirar e expirar e a velocidade com que o ar sai dos pulmões. Também conhecida como prova de função pulmonar ou popularmente como "exame do sopro", é um teste rápido, não invasivo e muito utilizado na investigação e no acompanhamento de doenças respiratórias.

A espirometria pode ajudar a identificar alterações no funcionamento dos pulmões, especialmente doenças que causam obstrução das vias aéreas, como asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Também pode levantar a suspeita de um distúrbio ventilatório restritivo, que precisa ser avaliado no contexto clínico e, quando necessário, confirmado com outros testes de função pulmonar.

Para que serve a espirometria?

A espirometria é utilizada para avaliar como os pulmões estão funcionando e pode fazer parte da investigação de sintomas como:

  • falta de ar;
  • tosse persistente;
  • chiado no peito;
  • sensação de aperto no peito;
  • redução da tolerância aos exercícios.

O exame também pode ser solicitado para diagnosticar e acompanhar doenças respiratórias, avaliar a resposta ao tratamento e, em determinadas situações, fazer parte de avaliações pré-operatórias ou ocupacionais.

É importante destacar que a espirometria não estabelece um diagnóstico isoladamente. O médico interpreta os resultados em conjunto com os sintomas, o histórico clínico, o exame físico e, quando necessário, outros exames.

Como é feita a espirometria?

Durante a espirometria, a pessoa permanece sentada e utiliza um clipe nasal para evitar a saída de ar pelo nariz. Em seguida, respira por um bocal conectado ao espirômetro, aparelho responsável por registrar o fluxo e o volume de ar.

O profissional orienta cada etapa do teste. Em uma das manobras mais importantes, você deverá:

  1. inspirar profundamente até encher completamente os pulmões;
  2. colocar a boca firmemente ao redor do bocal;
  3. soprar com o máximo de força e rapidez;
  4. continuar expirando até eliminar todo o ar possível.

A manobra é repetida algumas vezes para verificar se os resultados são reprodutíveis e tecnicamente adequados.

Em alguns casos, é realizada a espirometria com broncodilatador. Após as primeiras medidas, a pessoa inala um medicamento que dilata as vias aéreas e repete o teste. A comparação entre os resultados ajuda o médico a avaliar se houve uma resposta significativa ao broncodilatador.

Quanto tempo dura uma espirometria?

A duração pode variar conforme o número de manobras necessárias e a realização ou não do teste após broncodilatador. Em geral, trata-se de um exame relativamente rápido, embora seja importante reservar tempo suficiente para que as manobras sejam realizadas corretamente e, quando indicado, para aguardar o efeito do medicamento inalado.

O que a espirometria mede?

Entre as principais medidas obtidas na espirometria estão a Capacidade Vital Forçada (CVF) e o Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF1).

O que é a CVF?

A Capacidade Vital Forçada (CVF) representa a quantidade total de ar que você consegue colocar para fora dos pulmões depois de inspirar o mais profundamente possível.

Imagine que seus pulmões são como um recipiente cheio de ar. A CVF mede quanto desse ar você consegue eliminar ao soprar até esvaziar os pulmões.

O que é o VEF1?

O Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF1) mede quanto ar você consegue colocar para fora logo no primeiro segundo de um sopro forte e rápido.

Esse valor ajuda a entender com que facilidade o ar consegue sair dos pulmões.

Quando as vias aéreas estão livres, uma grande quantidade de ar consegue sair rapidamente. Quando estão estreitadas ou obstruídas, como pode acontecer na asma e na DPOC, o ar encontra mais dificuldade para passar e uma quantidade menor consegue sair no primeiro segundo.

O que significa a relação VEF1/CVF?

A relação VEF1/CVF compara esses dois valores. Em outras palavras, ela mostra quanto do ar que você consegue eliminar no total saiu já no primeiro segundo.

Por exemplo: se uma pessoa consegue eliminar bastante ar no total, mas demora mais para colocá-lo para fora, isso pode indicar que o ar está encontrando dificuldade para passar pelas vias aéreas. Esse padrão é chamado de obstrução e pode ocorrer em doenças como asma e DPOC.

Por outro lado, quando a quantidade total de ar eliminada (CVF) está reduzida, mas a relação VEF1/CVF permanece preservada, pode existir a suspeita de que os pulmões estejam movimentando um volume menor de ar. Esse achado pode sugerir um padrão restritivo.

A espirometria, porém, não confirma sozinha uma doença restritiva. Quando há essa suspeita, o médico pode solicitar outros exames de função pulmonar para entender melhor a causa.

Como interpretar o resultado da espirometria?

Os resultados da espirometria são comparados com valores de referência apropriados para cada pessoa, considerando características individuais relevantes e as equações de referência utilizadas pelo laboratório.

De maneira simplificada:

  • VEF1/CVF reduzido: pode indicar obstrução ao fluxo de ar;
  • CVF reduzida com VEF1/CVF preservado: pode sugerir um padrão restritivo, que pode precisar de investigação complementar;
  • mudança significativa após broncodilatador: demonstra resposta ao medicamento e deve ser interpretada pelo médico dentro do contexto clínico.

Os números, portanto, não devem ser analisados isoladamente. A qualidade técnica do exame e o contexto clínico são fundamentais para uma interpretação adequada.

Espirometria com broncodilatador: para que serve?

O teste broncodilatador avalia se determinadas medidas da função pulmonar se modificam após a inalação de um medicamento que promove a dilatação das vias aéreas.

Primeiro é realizada a espirometria basal. Depois, quando indicado, o paciente utiliza o broncodilatador e, após o intervalo determinado pelo protocolo do serviço, realiza novas manobras.

Uma resposta significativa pode fornecer informações importantes para a avaliação de doenças das vias aéreas. No entanto, a presença ou ausência de resposta ao broncodilatador não deve ser utilizada isoladamente para confirmar ou excluir asma.

Como se preparar para a espirometria?

Alguns cuidados ajudam a obter resultados mais confiáveis. As orientações podem variar conforme o laboratório e o motivo do exame, por isso siga sempre as recomendações fornecidas pelo médico ou pelo serviço onde a espirometria será realizada.

De modo geral:

  • evite fumar antes do exame;
  • evite exercício físico intenso próximo ao horário do teste;
  • prefira roupas confortáveis que não comprimam o tórax ou o abdômen;
  • evite uma refeição muito volumosa antes do exame;
  • informe quais medicamentos e bombinhas utiliza;
  • não suspenda broncodilatadores ou outros medicamentos por conta própria.

Caso seja necessário interromper temporariamente algum medicamento antes da espirometria, o médico ou o laboratório deverá orientar qual medicamento suspender e por quanto tempo.

A espirometria dói?

Não. A espirometria é um exame indolor e não invasivo. O principal desafio é realizar as manobras respiratórias com força e pelo tempo necessário para que as medidas sejam confiáveis.

Algumas pessoas podem apresentar cansaço, tosse ou tontura leve durante ou logo após as manobras. Esses sintomas geralmente são transitórios.

A espirometria tem riscos ou contraindicações?

A espirometria é considerada um exame seguro, mas a expiração forçada aumenta temporariamente as pressões dentro do tórax, do abdome e de outras regiões do corpo.

Por esse motivo, determinadas condições clínicas podem exigir o adiamento do exame ou uma avaliação individual do risco e do benefício. Isso pode ocorrer, por exemplo, após algumas cirurgias recentes ou diante de determinadas condições cardiovasculares ou neurológicas instáveis.

Antes do exame, informe ao profissional sobre cirurgias recentes, problemas cardíacos importantes ou qualquer condição de saúde relevante.

Qual a diferença entre espirometria e prova de função pulmonar?

Os termos são frequentemente usados como sinônimos no dia a dia, mas não significam necessariamente a mesma coisa.

A espirometria é um dos principais testes de função pulmonar. Uma avaliação funcional respiratória mais completa pode incluir outros exames, como medida dos volumes pulmonares e capacidade de difusão pulmonar, dependendo da dúvida clínica.

Portanto, nem toda prova de função pulmonar se limita à espirometria.

Perguntas frequentes sobre espirometria

Espirometria detecta asma?

A espirometria é um dos exames utilizados na investigação da asma e pode demonstrar obstrução ao fluxo de ar e sua variabilidade. Entretanto, um resultado normal não exclui necessariamente a doença. O diagnóstico depende da história clínica e, em alguns casos, de testes complementares.

Espirometria detecta DPOC?

A espirometria é fundamental na avaliação da DPOC. A demonstração de obstrução persistente ao fluxo aéreo, dentro do contexto clínico adequado, é um elemento importante para estabelecer o diagnóstico.

Preciso suspender a bombinha antes da espirometria?

Depende do objetivo do exame e do medicamento utilizado. Alguns broncodilatadores podem precisar ser suspensos por determinado período, enquanto em outras situações o médico pode desejar avaliar a função pulmonar durante o tratamento habitual.

Não suspenda a bombinha por conta própria. Siga as orientações do médico ou do laboratório responsável pelo exame.

Posso fazer espirometria mesmo sem sintomas?

Sim. Existem situações em que o exame pode ser solicitado mesmo na ausência de sintomas importantes, dependendo do histórico de doenças sistêmicas e da exposição a fatores de risco.

Em resumo: o que você precisa saber sobre a espirometria

A espirometria é um exame de função pulmonar que mede quanto ar você consegue expirar e com que velocidade esse ar sai dos pulmões. É um dos principais exames utilizados para investigar e acompanhar doenças respiratórias, especialmente asma e DPOC.

O teste é rápido, não invasivo e geralmente seguro. Seus principais parâmetros incluem VEF1, CVF e a relação VEF1/CVF, mas a interpretação não deve ser feita apenas com base nos números do laudo.

Se você apresenta falta de ar, tosse persistente, chiado no peito ou redução da capacidade para realizar esforços, converse com um médico para avaliar se a espirometria é indicada no seu caso.


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